Se a gente trabalha o quanto pode
mas não pode fazer o quanto quer
É que o quanto isso é
não se adivinha
só se sabe depois como se diz
E assim é melhor seguir amando
o que a vida se torna por si mesma
Vou cantando o que quero com firmeza
Pra ser livre no espírito e na dança
é preciso a certeza de um errante
que só sabe do rumo a natureza
do que sente e conhece no caminho
como quem colhe a flor de sua leveza.
sábado, 10 de outubro de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
1ª Parte do poema em homenagem a Drummond
NOSSO TEMPO (PÓS-DRUMMOND)
I
Esse é tempo de gente partida
De estranha gente entre mercadorias
Dolorida gente entre fomes dispersas
Mesmo que a semente cresça
Entre encantos tardios
Conversar de novo a velha divisão:
Sou eu mesmo que escrevo?
Ou somos todos com uma mesma mão?
Como dizer o encontro que nos acontece,
Se o gesto espera uma integração?
I
Esse é tempo de gente partida
De estranha gente entre mercadorias
Dolorida gente entre fomes dispersas
Mesmo que a semente cresça
Entre encantos tardios
Conversar de novo a velha divisão:
Sou eu mesmo que escrevo?
Ou somos todos com uma mesma mão?
Como dizer o encontro que nos acontece,
Se o gesto espera uma integração?
sábado, 15 de agosto de 2009
TRANSPOSIÇÃO DO LEITO DO TEMPO
A curva gestual descrita e o raio poético reluzente que o ligava à fonte abundante da potência circular do movimento, aberto ao vir a ser do toque preciso, dado com dois dedos de prosa, foi o bastante para excitar...tudo que sabia tinha sabor evanescente... e agora seria melhor soltar o desejo pelo corpo todo.
O homem não esperava que a natureza o conduzisse àquela condição de criador e surpreendeu-se com tempo e espaço abertos aos impulsos mais livres da vontade.
Por pouco não fez do momento uma transposição de tempo e, se desviara o rumo dos acontecimentos até ali, era para que todos os presentes ficassem à vontade.
Assim o verso, imerso no imenso, pairou acima da circunstância e quis apenas sorrir das chances que o acaso lhe dava. Aproveitá-las seria muito servil, e essa servidão voluntária tornou-se caótica. Tanto mais quanto tudo conspirava a favor da grande tentação: o prazer mais natural de poder fazer da vida uma arte de encontros.
O homem não esperava que a natureza o conduzisse àquela condição de criador e surpreendeu-se com tempo e espaço abertos aos impulsos mais livres da vontade.
Por pouco não fez do momento uma transposição de tempo e, se desviara o rumo dos acontecimentos até ali, era para que todos os presentes ficassem à vontade.
Assim o verso, imerso no imenso, pairou acima da circunstância e quis apenas sorrir das chances que o acaso lhe dava. Aproveitá-las seria muito servil, e essa servidão voluntária tornou-se caótica. Tanto mais quanto tudo conspirava a favor da grande tentação: o prazer mais natural de poder fazer da vida uma arte de encontros.
sábado, 18 de abril de 2009
Novo livreto: AZULÍRICO

AZULÍRICO - O MAIS NOVO LIVRETO DE IVAN MAIA
AZULÍRICO é o nome do livreto que Ivan Maia está lançando na livraria sebo Praia dos Livros, no Porto da Barra, em Salvador e que traz a produção poética no estilo de poemas curtos do poeta pernambucano radicado na Bahia desde 2004.
Ivan Maia de Mello é poeta, ator e Mestre em Filosofia pela UERJ, onde defendeu a dissertação A autocriação de Zaratustra , professor de Filosofia na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, na Faculdade Metropolitana de Camaçari, no Colégio Anchieta e doutorando em Educação na UFBA. Em 1992 criou o Espaço de Cultura Libertária, em Recife, onde coordenou intensa programação cultural que incluía o evento semanal Sopa Caraíba de recital poético performático assim como o evento itinerante Poesia na Praça, aos Domingos nas praças da cidade, o qual foi adotado em 2000 pela Prefeitura da Cidade do Recife. Foi editor do zine poético Folha ao Vento (1992), da coletânea de poemas Palavra Nômade (1993) e publicou o primeiro livreto de poemas em 1993 - A Semente Precoce , o segundo em 2000 - Vibrasons dos Sonhos . Teve poemas publicados na coletânea Marginal Recife v. 4 (2004) e em vários jornais literários, entre eles o Proesicanteatroz (PE), o Balaio de Gatos (PE), os Escrachados (RJ) e SOPA (BA). Teve seus poemas encenados pelo grupo de teatro do SESC-Santo amaro (PE) e em programa da TVE - Documento Nordeste, além de participar do vídeo Os Antropófagos (TVU-PE) e de programas do canal Futura, Assinando a Língua, interpretando seus poemas, do canal Saúde da Fiocruz, do programa Opinião Pernambuco (TVU-PE), assim como do evento CEP 20.000 (RJ), além de programa especial (em 2006) da TV do Poder Legislativo de Salvador sobre sua poesia, chamado Câmara in verso. Em 2007, teve 9 poemas publicados em coletânea organizada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Desde 2000, pratica Contato Improvisação, estilo de dança contemporânea, realizando performances poético-dançantes.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Participação na Bienal do Livro de Salvador
Convido os amigos para visitarem a Praça da Poesia e do Cordel na Bienal do Livro de Salvador, espaço que será coordenado pelo poeta José Inácio Vieira de Mello, e de cuja programação estarei participando (apresentando meus poemas) como um dos três convidados do primeiro dia do evento, 17 de abril de 2009, apartir de 20hs.
Aquele abraço, Ivan Maia.
Aquele abraço, Ivan Maia.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Poema da metalinguagem
ESVOAÇANTE
A poesia lança suas metáforas na vida dos homens
Com uma liberdade tão inocente para fazer sentido
Que tudo que foi sentido no peito
Procura agora palavra que o leve
Além de tudo que está posto
Até o momento em que
Transposto em verso
O querer saiba falar de si
Como de alguém até aí desconhecido...
Só então escutará seu próprio ritmo
Como quem dança uma liberdade nova
Recém-nascida do encontro
com o pulsar do instante...
A poesia dança em suas metáforas
A descoberta de um mundo
Até então ocultado a sua sensibilidade
Como um pássaro cujas asas
Inventam seu primeiro vôo.
Ivan Maia
A poesia lança suas metáforas na vida dos homens
Com uma liberdade tão inocente para fazer sentido
Que tudo que foi sentido no peito
Procura agora palavra que o leve
Além de tudo que está posto
Até o momento em que
Transposto em verso
O querer saiba falar de si
Como de alguém até aí desconhecido...
Só então escutará seu próprio ritmo
Como quem dança uma liberdade nova
Recém-nascida do encontro
com o pulsar do instante...
A poesia dança em suas metáforas
A descoberta de um mundo
Até então ocultado a sua sensibilidade
Como um pássaro cujas asas
Inventam seu primeiro vôo.
Ivan Maia
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Os sabores dos saberes
Nem tudo que se sabe da vida
alimenta o amor em seu querer
pois a força sobra perdida
quando o medo se sobrepõe no ser
Saborear prazeres, bem viver
pode até levar à sabedoria
quando se sabe enlouquecer
preservando a lucidez que havia
Mas cada um precisa crer
no que sente e dá sentido
como quem quer assim sofrer
o fim do que é bem vivido.
Ivan Maia
alimenta o amor em seu querer
pois a força sobra perdida
quando o medo se sobrepõe no ser
Saborear prazeres, bem viver
pode até levar à sabedoria
quando se sabe enlouquecer
preservando a lucidez que havia
Mas cada um precisa crer
no que sente e dá sentido
como quem quer assim sofrer
o fim do que é bem vivido.
Ivan Maia
Assinar:
Postagens (Atom)