sábado, 28 de novembro de 2015

Tempo da delicadeza Vida sabe saborear o amor Colher mel e pétala de sua flor Delicaldos que alimentam sonhos Tudo que alegra os tristonhos O que o corpo quer Quando dá prazer É criar o amado E cuidar do sofrido Pois no meio do caminho Que se percorre sozinho Quem não colhe flores Que receba dos amores Quando mais adiante Encontra amigos e amante
AMOR E DOR, PRA QUE RIMAR? Morro de amor, morro da falta de paz Se não queres mais amar-me, nosso sonho se desfaz Sou o que restou do amante que amou o melhor de tudo Danças, sorrisos, viagens, tesões de um teatro mudo De lembranças tão vivas felizes que não se contêm Como se agora você surgisse aqui meu bem Sem cair no jogo do recomeço cego Da trama de conflitos em torno do ego Como se não fosse mais possível amar Sem afogar-se nos meandros desse mar Livre somos pra respirar melhor Gastar saliva, sangue, sêmem, suor Criando arte, casa, filhos, encontros Mesmo que pro amor não nasçamos prontos Pra amar sem impor condições ao sentir E viver criando o modo de fluir Que transmuta tudo que sofreu em si Na bela vida que amando vive-se Seguindo leve pelo caminho do amor Mesmo que a vida não viva sem dor.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

VERSOS TRANÇADOS NOS CABELOS DO TEMPO

Percorrer os campos da existência em suas tantas possibilidades Entregar-se à dinâmica de atividades experimentais Próprias do movimento em sinergia da vida em mutação Como quem descobre um arco-íris de realidades paralelas Entrar no fluxo de criações transversais à heterogeneidade do dia Singularejar o tempo com os impulsos desinibidos do afeto Plantar no coração do sol nascente o olhar pleno de poesia E encontrar no sorriso ao lado uma gota do néctar dos deuses Parte de tudo que somos escorre da fonte dos desejos enlaçados Outra é a canção dos pássaros engaiolados Queimo a lenha com os dedos de fogo do amor E entrego assadas as vigorosas castanhas do poema O destino mais livre brilha na mata junto ao rio do devir E antes mesmo que o corpo escreva seus passos no caminho A noite chega ao auge do mistério estrelado do cosmos Sem saber como dizer a intuição que vai além de si Ivan Maia

sábado, 5 de novembro de 2011

Poema para a Praia dos Livros - O sebo mais charmoso de Salvador

ELEVAÇÃO

É possível subir na vida
Degrau por degrau
Sem chegar às alturas
Aonde os livros podem levar

Mas quem assim se eleva
Talvez não saiba dos sabores
Que uma boa leitura produz
Quando se chega ao cume
Desse prazer antropofágico

A leitura eleva o livro
À sua segunda potência:
A do leitor.

Ivan Maia

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

COMBUSTÓXICO

(a todos os gaiatos de nosso planetemplo Gaia)

Saem de dentro, bem dentro da terra
extraídos pelo aço do braço viril
que arranca suga e esgota
seu uso e abuso de forças

Cadáveres da pré-história histérica
da vidanimal e outros vegetantes entes
decompostos ao seu dispor

Para que se possa navegar
pela desnecessidade
de tudo que se deixa para trás
com a poeira e os buracos da estrada
faminta de meninos pedintes

Veículos transitivos do verbo que se faz carne
elevando a matéria do fundo do poço
da condição inorgânica
ao céu da mais pesada e escura nuvem de fumaça

Só mesmo no interior isolado da nave
vagueamos vagalumes imunes ao efeito defeituoso
Do nosso consumo de energias não renováveis

sábado, 20 de março de 2010

corpoema: Vídeo-poema Meio Vivo Meio Vida

corpoema: Vídeo-poema Meio Vivo Meio Vida

À minha amada Lilith

EFEITOS DO AMOR

O amor me revira
E viro um ser
Amante da vida
Em seu vir-a-ser

O amor me avisa
Que vai nascer
Quando a amada querida
Me aparecer

O amor me revolta
Se alguém sem amor
Deixa a vida ferida
Sem sequer socorrer

O amor me atinge
Transforma e faz morrer
E com a vida renascida
Cuida de seu prazer

O amor me eleva
Me faz florescer
E se fica então florida
É pela arte de viver.

Ivan Maia

sábado, 10 de outubro de 2009

Dura lida

Se a gente trabalha o quanto pode
mas não pode fazer o quanto quer
É que o quanto isso é
não se adivinha
só se sabe depois como se diz

E assim é melhor seguir amando
o que a vida se torna por si mesma

Vou cantando o que quero com firmeza
Pra ser livre no espírito e na dança
é preciso a certeza de um errante
que só sabe do rumo a natureza
do que sente e conhece no caminho
como quem colhe a flor de sua leveza.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

1ª Parte do poema em homenagem a Drummond

NOSSO TEMPO (PÓS-DRUMMOND)
I
Esse é tempo de gente partida
De estranha gente entre mercadorias
Dolorida gente entre fomes dispersas

Mesmo que a semente cresça
Entre encantos tardios
Conversar de novo a velha divisão:
Sou eu mesmo que escrevo?
Ou somos todos com uma mesma mão?
Como dizer o encontro que nos acontece,
Se o gesto espera uma integração?