(poema intertextual com A Flor e a Náusea,
de Drummond, em comemoração ao dia de seu nascimento)
Poesia!... Te queria nua, como na palavra flor...
E mesmo que eu dissesse flor, fezes, fogo
Ainda não estaria inteiro
Em tua beleza, degradação e incêndio!
Que a poesia tem disto:
De escapar, de esconder-se
De sair pelo mundo carregando no peito
Algo de tempestade, vulcão ou maremoto
Pronto a inundar a praia espumante
De quem quis ser dono do azul do mar
Lançar-se na paixão rebelde
Antes que a terra se abra em fendas
E a gente afunde sufocando amores...
Fazer do sonho a matéria orgânica!
Onírica em versos de paixão-mulher
Diluição da infância que se faz vento
Pra soprar levezas de um lirismo-pássaro
Até voar!... E voar com olhos bem abertos
Sendo a ave de rapina daquela gente podre
Que não sabe da merda o que ela tem de estrume
Pra fertilizar o solo das nossas paixões
E comer...e comer teu corpo
Em tudo que nele se faz desejo
Na cor da pele, dos olhos ou da blusa
O mesmo blues que nos leva à dança
Pois amor faremos sob o céu
Sob o sol e a chuva que nos molhar
Liberando um cheiro no ar
Quando somos mata úmida a secar
Pois era flor o que se abriu em chamas
E se lançou do esterco de um solo fértil
Reunindo fogo e fezes numa bela flor
Encontro de pétalas e olhos através da cor
Colorindo a vida de quem quis poesia...
Ivan Maia
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